Qual a verdade que a Covid-19 tem que trazer à tona?

Qual a verdade que a Covid-19 tem que trazer à tona?

Parece filme, mas é realidade

30 de dezembro de 2019 e os preparativos para o ano novo estão a todo vapor. O ano transcorre como a maioria dos outros. Aquele sentimento que a vida anda cada vez mais rápido e não vemos o tempo passar. Para uns, é tempo de reflexão; para outros, festa e férias. Mas para muitos, a data não tem grande significado. 

 

Entre estes, o médico chinês Li Wenliang, morador de Wuhan, na China, país que segue um calendário distinto do ocidental. Em um período atípico de trabalho em um dos hospitais da cidade, preocupado com um surto de pneumonia em andamento,  envia uma mensagem a um grupo de colegas médicos alertando sobre um surto de origem desconhecida.

 

O grupo de médicos rapidamente discute a possibilidade do alerta se tratar de uma nova epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), ocorrido em 2002, na China. E diante da gravidade desta possibilidade, já no dia seguinte, 31 de dezembro de 2019, véspera do ano novo ocidental, o alerta é transmitido à OMS (Organização Mundial da Saúde).

Saúde ou Economia

Em um primeiro momento, as autoridades chinesas correm para desmentir e silenciar tais rumores. Repreendendo médicos e outros profissionais que deram o primeiro sinal de alerta, minimizam os possíveis perigos para a população daquela cidade e do mundo.

 

Os motivos para essa estratégia podem ser muitos. Talvez os dirigentes chineses não tenham acreditado nos dados ou não queriam acreditar naquela possibilidade. Talvez quisessem abafar o caso para não prejudicar a imagem internacional da China. Ou, quem sabe, esta é a minha aposta, os impactos econômicos de medidas sanitárias tenham sido considerados e a negação tenha sido a primeira estratégia adotada. Parece familiar para você?

Avanço Rápido

Todavia, independente dos motivos, poucos dias depois, em 9 de janeiro as autoridades chinesas notificam a OMS. As análises iniciais do vírus causador dos casos de pneumonia diagnosticados em Wuhan indicaram uma mutação do grupo de vírus conhecido como corona, causador do surto de SARS em 2002 na China e em 2012 no Oriente Médio.

 

 

Em 11 de janeiro de 2020, a primeira morte pelo vírus é notificada à OMS pelas autoridades chinesas de saúde. E em 13 de janeiro, a OMS notifica o primeiro caso de coronavírus fora da China. Uma mulher Tailandesa com pneumonia leve que voltara de uma viagem a Wuhan.

 

Gradativamente, China e outros países do mundo passam a adotar medidas de controle e prevenção ao avanço da doença, nomeada posteriormente como Covid-19. Entre 17 e 22 de janeiro, países como Estados Unidos, Tailândia, Hong Kong, Singapura, Austrália e Rússia intensificaram as medidas de controles sobre a chegada de voos vindos de zonas de risco.

 

Entre estes dias ainda, a atenção mundial aumenta com os anúncios do primeiro caso nos Estados Unidos e de que o vírus possui capacidade de mutação, fácil propagação entre humanos e que é transmitido também pelas vias respiratórias.

 

Nessa altura, em pouco mais de 20 dias a epidemia já se alastrava por mais da metade da China. Incluindo as províncias de Hubei, epicentro da doença, Pequim, Xangai e Shenzhen. Em 23 de Janeiro, ônibus, trens e aviões partindo de Wuhan foram suspensos e suas rodovias bloqueadas, isolando a região do resto do mundo.

Esforços Insuficientes

Nos sete dias seguintes as medidas se intensificam na China e em todo mundo, mas não o suficiente para bloquear o avanço da doença que transformaria uma epidemia regional em uma pandemia mundial.

 

É interessante ressaltar que ao final do primeiro mês de epidemia, mesmo com os alertas das autoridades de saúde, as medidas tomadas não restringiram totalmente os fluxos de pessoas e mercadorias vindas da China. Possibilitando assim seu avanço por diversas regiões do mundo. A própria OMS qualifica a epidemia como uma “emergência de saúde pública de alcance internacional”, mas não avalia necessária limitação das viagens e comércio com a China.

Pandemia Global

No mês de fevereiro assistimos pela televisão os esforços da China e do mundo para conter o avanço da doença. Insuficientes para barras o surto que gradativamente se espalhou causando um cenário mundial nunca antes visto na história.  Ainda em fevereiro é confirmado o primeiro caso de Covid-19 no Brasil, no auge do carnaval brasileiro.

 

O mês de março é marcado por uma tragédia na Itália e Espanha, mas já aponta para um novo epicentro, os Estados Unidos da América. Nova Iorque sitiada, todo comércio fechado, isolamento total, sistema de saúde em colapso, aumento exponencial do número de casos e mortes, mesmo com medidas nuca antes adotadas.

 

Hoje, 28 de março de 2020, a sociedade mundial atravessa sua maior crise sanitária desde a gripe espanhola, há mais de 100 anos. Com proporções nunca antes vistas, a pandemia da Covid-19 tem implicações em todo o mundo, influenciando a vida de mais de 2 bilhões de habitantes, atualmente sob medidas de restrição de trânsito e isolamento.  

 

Uma crise de saúde que afeta drasticamente nossa vida social e tem potencial para abalar significativamente economias, sistemas políticos, bem como nossa cultura mundial. O avanço da Covid-19 aparenta um ápice de um período de crise, no qual uma política mundial baseada em exploração de recursos naturais, produção e consumo passa a cobrar o seu preço. 

Avanço Tecnológico: Liberdade ou Escravidão?

Assim como em outras crises, muitos vendem os avanços das tecnologias como a solução futura para nossos problemas presentes. Mas isso é mais um mito para garantir a continuidade das práticas predatórias de produção e consumo.

 

Mas as tecnologias da informação e comunicação tem papel fundamental em uma possível mudança da sociedade mundial. Pois nos permite saber em tempo real o que se passa nos quatro cantos do globo, assim como produzir e disseminar conhecimento em massa.

 

 Tais tecnologias auxiliam nas informações para o combate ao inimigo comum, o coronavírus, mas também  influenciam na propagação  de outro vírus, o vírus humano, pois não se engane, a sociedade que  cura também é aquela que destrói ambiente e ignora as condições que muitos de nós vivem. Estamos  todos  sendo testados e assim como na produção de vacinas, uma cepa detre nós humanos deve ter destaque  e será responsável pelo novo mundo que está prestes a surgir.

 

Por enquanto, tais  tecnologias  representam um grande salto da humanidade, mas são manipuladas  por alguns poucos  grupos  que se dedicam a infectar a sociedade com o vírus do consumo, do individualismo e da ignorância.

 

Em outra perspectiva, enquanto a população não se apropriar destas  tecnologias e todo seu conhecimento intrínseco, continuará sendo alvo de tentativas de manipulação de direita,  esquerda, regimes totalitários, neoliberais ou conservadores, mas que independente da orientação política, escondem por trás aquele pequeno grupo de pessoas que direciona nossas vidas e que na maioria das vezes não é afetado pelas crises.  

A Verdadeira Origem da Crise

As grandes fortunas, junto com os líderes mundiais de todas orientações políticas controlam meios de comunicação, grandes empresas de transporte aéreo, marítimo e terrestre, de serviços de comunicação, mineradoras, petrolíferas, construtoras, grandes laboratórios e empresas de pesquisas, dentre inúmeros outros segmentos estratégicos que influenciam diretamente a vida da maioria da população.

 

 

Cada qual com sua visão deturpada de desenvolvimento e poder trabalham para manter e ampliar seu patrimônio e influência.  Replicam e disseminam sua visão destrutiva baseada primeiramente em economia, produção, consumo e poder.

 

Nesta visão, as vidas são descartáveis e podem ser sacrificadas para que a economia continue girando.  Não se trata apenas da Covid-19, mas sim de todas outras epidemias que passam despercebidas pelo seu insignificante impacto econômico.

Consequências deste Modo de vida

Epidemias de dengue, febre amarela, malária,ebola, zikavíus, sem falar da fome e condições sub-humanas  a que muitos são submetidos todos os dias  e que se tornaram normais aos olhos da humanidade. Este é o retrato da crise social que vivemos e replicamos todos os dias, sem falar das  das questões ambientais, que se avolumam em termos de impactos negativos  em todo o planeta.

Aquecimento global, desflorestamento, poluição de ambientes naturais e mananciais de água, extinção de espécies em massa, confinamento e abate em números inimagináveis, ilhas de plástico no oceano, todos organismos da terra contaminados de alguma forma com substâncias  produzidas pelo homem.

Produção e Consumo: A regra de ouro

Mas tudo isso é secundário, o que importa é produção e consumo. Em nome da manutenção da economia tudo é permitido. Explorar, matar ou perder algumas vidas para a pandemia. O que mais importa não é habitação, alimentação, saúde, educação e lazer para a população, mas sim a manutenção dos empregos.


É interessante que até o momento, a manutenção dos empregos e da economia como a concebemos hoje não foi capaz de erradicar as mazelas sociais. Muito menos nos aproximar de alguma forma a um modelo ambientalmente sustentável. Embora o número de pessoas em situação de pobreza extrema tenha diminuído, ele ainda é significativo. E a concentração de renda continua sendo uma tendência, como podemos ver no gráfico abaixo (Forbes), que retrata a evolução do número e fortuna dos bilionários mundiais. Pouco mais de 2000 mil pessoas que detém mais de 9 trilhões de dólares.


Em outras palavras, quanto mais bilionários entre a população, maior a desigualdade social e econômica.  Verdade muitas vezes obscurecida por disputas ideológicas e políticas que tem o objetivo de nos manter dispersos e entorpecidos.

Em países como o Brasil essa disparidade é ainda mais latente. Uma vez que o Estado não faz o mínimo necessário para garantir condições dignas de sobrevivência para mais de 70 milhões de habitantes. Pessoas que agora com a crise tem sua subsistência seriamente afetada.


E esse número pode ser ainda maior, podendo chegar a mais de 100 milhões de habitantes, ou seja, metade da nossa população. Estes são os números estimados pelo governo e congresso de pessoas que precisarão de auxílio financeiro do Estado neste momento de crise. Desempregados, desalentados, autônomos, informais e outros sobreviventes de nossa sociedade tupiniquim.

Política da desigualdade extrema

É neste cenário que surge a pandemia do coronavírus, em um mundo onde 80% da riqueza está nas mãos de 1% da população.  E neste cenário, estas poderosas forças tentam responsabilizar alguém pelo caos instaurado, desviando nosso foco do que realmente importa, um mundo socialmente injusto e ecologicamente desequilibrado.  

Alguns acusam a China, mas a verdade é que a epidemia se alastrou rápido e como a prioridade dos países é sempre a economia, governos de todo o mundo demonstraram ineficiência na contenção do vírus. Atrasaram medidas que poderiam ter mudado o rumo desta crise, já que  sob qualquer orientação política, a prioridade é a economia. Parece familiar para você?

 

Mas essa negligência já é uma prática histórica e ela se alastra entre os próprios negligenciados.  Muitas vezes, por medo, desconhecimento ou insegurança, acabam defendendo o sistema de exploração que cria injustiças sociais gravíssimas.

Sistema que permite que  pessoas consumam alimentos impróprios e  vivam  sob péssimas condições sanitárias. Provável causa da disseminação  do novo vírus, que teria surgido em um mercado de Wuhan devido a  hábitos no preparo e venda das mercadorias, que podem ter influenciados diretamente  na propagação  do vírus e da doença.

 

E se a crise tivesse  sido de Ebolla? Bem, isso já aconteceu, mas  os fluxos de pessoas e comerciais entre a África subsaariana e o mundo são restritos e são facilmente fechados, mantendo  a epidemia restrita a uma população desfavorecida e esquecida do mundo.

Negligência Mundial

Na crise do coronavírus a verdade é que todos os países negligenciaram ou ainda negligenciam ações em função da manutenção da economia e do status quo. O mundo vem sendo alertado pela ciência. Estamos entrando em um caminho sem volta e a mudança de nossos hábitos e relações é a única forma de evitarmos crises ainda maiores, mas relutamos em tomar medidas que realmente modifiquem esta situação.

 

E não seria diferente com o Covid-19, uma doença que em poucos dias  espalhou-se pelo mundo todo e que muitos líderes mundiais relutam em adotar as medidas drásticas, porém necessárias para o combate da pandemia.

 

Bolsonaro, Trump, Boris Jhonson, Scott Morrison, Xi Jinping, entre outros negligenciaram e ainda negligenciam a situação,  colocando a economia como prioridade número um, acima das vidas humanas.

 

No Brasil, ainda tivemos uma sorte dentro da nossa maré de azar.  A polarização extrema entre os poderes e as instâncias federal, estaduais e municipais desencadeou uma disputa política,  na qual as medidas de isolamento foram praticadas  praticamente todos estados. Medidas que protegem a população, mas que tem a disputa política como uma das principais causas para sua adoção.   

 

Mas isso não nos resguarda totalmente. O Estado de Santa Catarina, um dos primeiros a entrar em isolamento através de decreto estadual já sinalizou a possível retomada parcial de atividades como shoppings e outros estabelecimentos, demonstrando sinais claros da forte pressão econômica sobre os agentes políticos.

E Agora? A verdade que a Covid-19 tem que trazer à tona

É difícil concluir um texto em um momento como este, pois essa história tem começo, desenvolvimento, mas não está perto do fim. Os dias e meses que virão demonstrarão quais serão as consequências das atitudes e estratégias adotadas por pessoas, cidades, estados e países.

 

Mas o que importará no final de tudo é: quantas vidas foram poupadas? Quais as lições aprendidas com este acontecimento? Podemos manter nosso modo de vida atual? ou  Que reflexões podemos fazer  sobre novas formas de agir, se relacionar, empreender e viver?

 

Você  sabe como fazer parte dessa  mudança?  Vem com a gente, curta nosso site, nos siga nas redes sociais e aguarde os próximos artigos sobre o tema. É possível fazer diferente e mudar este cenário. Não é fácil, mas é nossa única alternativa.   

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