ESG: a ponta do iceberg
O termo ESG, do inglês, Environmental, Social and Governance, em português, Meio Ambiente, Social e Governança, está cada vez mais presente na mídia, nas redes sociais e no vocabulário das empresas. Mas se o tema não é novo, o que mudou para essa nova onda de interesse?
ESG: 15 anos
Embora o termo ESG só tenha sido mencionado pela primeira vez em 2006, através dos Princípios para Investimento Responsável das Nações Unidas (PRI), as questões ali implícitas refletiam mais de 30 anos de lutas e avanços.
A Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento e Meio Ambiente Humano, realizada em 1972 na cidade de Estocolmo, reuniu 113 países no primeiro grande encontro internacional sobre os impactos ambientais associados ao atual modelo de produção.
Desde então, fóruns, conferências e encontros, além de dados e informações científicas, trazem a tona a importância da incorporação da sustentabilidade como forma de promoção do equilíbrio entre as questões sociais, ambientais e econômicas.
Entretanto, embora a necessidade de incorporação do tripé da da sustentabilidade já seja amplamente difundida, por que agora essa nova onda de interesse sobre ESG?
ESG e o Dilema do Tripé da Sustentabilidade
Como que uma marca forjada historicamente no DNA humano, reforçada após a revolução industrial, as questões econômicas são priorizadas em detrimento das questões sociais e ambientais.
Na época, as possibilidades advindas da revolução do modo de produção vigente mascararam aparentemente ou deliberadamente, os impactos associados aos padrões de produção e consumo propostos.
Todavia, mesmo após a identificação e disseminação dos impactos associados, com especial relevância para as mudanças climáticas, ainda persiste a cultura desenvolvimentista, na qual as questões econômicas são a prioridade sobre as socioambientais.
Essa característica, alicerça o tripé da sustentabilidade nas questões econômicas, fragilizando o equilíbrio proposto entre ambiental, social e econômico. Infelizmente, mais uma vez vemos que a crescente corrida pela incorporação do ESG não é uma onda de conscientização global, mas uma corrida atrás de um segmento de ativos cada vez mais significativo no mercado financeiro.
Em 2006, 63 empresas foram signatárias dos Princípios para Investimento Responsável, movimentando U$ $ 6,5 trilhões em ativos. Todavia, em 2019, 2.450 empresas são signatárias representando mais de US $ 80 trilhões em ativos.
Felizmente, mesmo que motivados por questões econômicas, gradativamente as estados nacionais, empresas e investidores passam a perceber através de análises econômico-financeiras que os empreendimentos que levam em conta as questões ambientais, sociais e de governança/econômicas são mais sólidos e tendem a ser mais sustentáveis. Em outras palavras, representam um investimento mais seguro.
É importante destacar que este é um movimento heterogêneo e nele estão contidos diversos perfis de empresas e investidores. Neste sentido, teremos muitas empresas e investidores que realmente buscam incorporar propósito, enquanto outras utilizam o velho greenwashing para se maquiar com as tendências do momento, além de muitas outras no meio do caminho.
ESG: A ponta do Iceberg
Neste contexto, a temática ESG mostra que veio para ficar e que o atual cenário é só a ponta do iceberg. Hoje são pouco menos 2500 signatários, mas o potencial é de crescimento é enorme e seu crescimento contribui com a disseminação da cultura da sustentabilidade, demonstrando seus benefícios econômicos, sociais e ambientais.
O desafio é grande, uma vez que o tema ainda engatinha e só recentemente foram propostas métricas básicas para monitoramento e avaliação das questões sociais, ambientais e de governança.
A incorporação a cultura empresarial pode parecer complexa, mas deve ser encarada como um processo contínuo e gradativo que deve ser adequado ao contexto local e individual de cada empreendimento.
Isso não quer dizer que normas e métricas não são importantes, muito pelo contrário, uma vez que estabelecem diretrizes para o estabelecimento de padrões, mas sim que cada empresa deve respeitar suas especificidades, impondo metas e objetivos condizentes e acima de tudo úteis a gestão da empresa.
A incorporação do ESG é um processo de geração de conhecimento organizacional, no qual a organização deve gradativamente se conhecer e se relacionar melhor, identificando aspectos e impactos da atividade, bem como anseios e necessidades dos stakeholders, instaurando um novo modelo de gestão adequado às necessidades do século XXI.
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