Crise e sustentabilidade, dois conceitos distintos mas que devem ser vistos cada vez mais como complementares. O Brasil vivencia uma profunda crise política e institucional que afeta gravemente a credibilidade das esferas públicas e privadas nacionais e a confiança nas pessoas e no país. As consequências socioambientais e econômicas desta crise são noticiadas diariamente na mídia e trazem à tona uma problemática sistêmica e endêmica que afeta diretamente nossas vidas.
Todavia, essa crise não está restrita ao Brasil. Embora aqui ela adquira tons mais dramáticos devido a forte corrupção arraigada à nossa cultura, essa crise é mundial e atinge as esferas social, econômica, cultural e ambiental.
Crise generalizada
Crises sociais
A reportagem da BBC de Pablo Uchoa, intitulada A pobreza está mesmo diminuindo no mundo? apresenta dados ainda alarmantes sobre a pobreza no mundo.
Cabe destacar que a pobreza extrema vem caindo, mas em 2018 ainda existiam mais de 600 milhões de pessoas vivendo em pobreza extrema, ou seja com menos de 2 dólares por dia. Entretanto, a distribuição desta população também é muito desigual.
Segundo o Banco Mundial, este total está irregularmente distribuído, ressaltando ainda um dos principais problemas evidenciados pela desigualdade de desenvolvimento entre os países.
Na África Sub-sariana reside a maioria da população, cerca de de 430 milhões. No sul da Asia outros 120 milhões , enquanto que os 85 milhões restantes, se distribuem na América Latina e Caribe e nas demais regiões da África.
A reportagem ainda enfatiza que existem problemas estruturais que preocupantes, mesmo com a queda global dos níveis de pobreza extrema. Entre eles, destacam-se: 1) a desigualdade no ritmo de crescimento das regiões. 2) o crescimento insuficiente do número de empregos; 3) as dificuldades de acesso à tecnologias e 4) os conflitos políticos violentos aos quais parte dessa população também é submetida.
No Brasil, é importante evidenciar que embora exista um programa de transferência de renda, no qual a pobreza foi reduzida de 21,6% em 1990 para 2,8% em 2014, voltou a registrar crescimento, subindo para 4,8% em 2017, afetando mais de 10 milhões de pessoas.
E esses são só alguns dados de pobreza extrema. Somam-se à estes os dados de acesso a educação, saúde, expectativa e qualidade de vida, entre outros. Dados que apresentam melhoras, mas assim como os de pobreza extrema ainda apresentam disparidades, desigualdades e outros problemas estruturais a serem sanados.
Crises econômicas
Na economia não á diferente. Uma sucessão de crises locais, regionais e mundiais dão o tom do cenário. Guerra comercial entre as maiores potências do mundo, guerras, conflitos e terrorismo, corrupção na Petrobrás, variação na taxa e política de câmbio, Brexit e tantos outros eventos que influenciam diretamente nossas vidas, por mais que não tenhamos ações na bolsa, títulos da dívida ou qualquer investimento.
Corrupção na Petrobrás ou qualquer evento que afete o preço do petróleo e a cotação do dólar influenciam diretamente o custo dos combustíveis e consequentemente o custo do frete, das mercadorias e produtos, em resumo o orçamento das empresas e famílias.
O gráfico produzido pela Bolsa de Valores de São Paulo ilustra a montanha-russa do mercado financeiro e, muitas vezes, das nossas vidas.
Crise Cultural
A massificação e globalização de uma visão de mundo única, capitalista, baseada em produção e consumo, na apropriação de recursos e territórios tem gradativamente expropriado populações e seus costumes, pasteurizando a população mundial e sua cultura.
Esse processo também é uma das principais causas da crise ambiental sem precedentes na história, com consequências dramáticas para a sociedade.
Crise Ambiental
Tendo como um de seus expoentes os eventos climáticos extremos, a crise ambiental mostra sua face através de incêndios na Austrália, furacões no Caribe, chuvas e secas intensas, todos eventos com maior magnitude, intensidade e frequência do que a média histórica registrada.
Recentemente, pesquisadores brasileiros mediram a maior temperatura registrada nas medições da Antártica, superior a 20° C. E levantaram a possibilidade da relação entre temperaturas mais altas no extremo sul do planeta às chuvas torrenciais no sudeste brasileiro.
Soma-se a isso incêndios criminosos e garimpos ilegais na Amazônia, poluição de rios e mananciais, gestão inadequada de resíduos, entre tantas outras ações antrópicas prejudiciais ao meio ambiente.
Crise ou sustentabilidade... você escolhe!
No caso brasileiro, em um paradigma convencional, é comum esperar posturas mais cuidadosas e conservadoras de proteção de capital. O capital nacional e estrangeiro migram para aplicações mais seguras, para outros mercados emergentes menos instáveis ou para mercados considerados sólidos.
Entretanto, tal padrão contribui para a desaceleração da economia. Em última instância, colabora com o aprofundamento da crise, a qual necessita de capital em circulação para ser revertida.
A postura conservadora tende, muitas vezes, a não considerar o ecossistema socioambiental e econômico como um todo, agindo para preservar uma “pseudo” estabilidade econômica individual, mas que na realidade pode gerar mais crise e afetar negativamente todo o sistema.
Crise ou oportunidade
Algumas crises como guerras, colapsos econômicos, catástrofes ambientais, entre outras, historicamente trouxeram grandes saltos na evolução humana. Inovações e outras transformações, muitas vezes demonstraram um lado resiliente, benéfico e promissor. Mas será que estamos atentos a isso?
Os momentos de crise apontam para novas possibilidades. Os investimentos realizados nestes períodos podem ser muito oportunos tanto para empreendedores como para investidores. Apostar em novos negócios exige mais conhecimento e planejamento, mas pode criar distintos processos e relações, resultando em produtos e serviços inovadores e modelos de negócios transformadores.
Ambiguamente, em momentos de crise torna-se oportuno investir em empreendimentos e em pessoas. É necessário exercitar o pensamento sistêmico e holístico, integrando pessoas, empresas, comunidade e meio ambiente. Praticando de fato as mudanças que queremos ver no ambiente. A sustentabilidade empresarial torna-se cada vez mais importante.
Torna-se necessário a prática do “UBUNTU”. Um conceito africano popularizado pela Linux que valoriza a cooperação, internaliza a sentimento de “humanidade para os outros”, na qual eu só “sou o que sou pelo que nós somos” e “uma pessoa é uma pessoa através (por meio) de outras pessoas”.
É hora de pensar na postura que estamos adotando e agir para protagonizar as mudanças que queremos ver neste cenário de crise. A escolha é individual, mas o resultado afeta a todos. Crise ou sustentabilidade?
*Artigo adaptado. Publicado originalmente na Revista Visão Empreendedora por Paulo Braga
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Gustavo Corrêa, CEO da empresa Simbiose Inteligência Ambiental. É desenvolvedor intelectual do Cherry, um software de Gestão Integrada para otimização operacional com Sustentabilidade. Um estudioso da integração do homem/capitalismo/desenvolvimento sustentável.
Gustavo criou um curso digital, online que traz conceitos baseados na otimização e valorização de recursos. Proporciona capacitação em Sustentabilidade, auxiliando empresas no reposicionamento da marca, entendimento os desafios e oportunidades da sustentabilidade, entre outros aspectos para internalização e implementação do conceito em sua vida e sua empresa.
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